Mais que um livro, uma estratégia de sobrevivência

Prólogo de "A melhor próxima coisa agora"

pexels.com

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Em dezembro de 2015, uma veia entupiu no lado esquerdo do cérebro da minha mãe e mudou tudo. Absolutamente tudo para ela. Mas muito para o meu pai, para mim e para o Dog, nosso cachorro. Contar essa história é minha estratégia para atravessar a maior crise existencial em que já me vi mergulhada. Começo a narrativa nove meses após o evento, nesse meu afogamento por dentro, e sigo até dezembro de 2016. Quando, possivelmente, minha mãe terá voltado a andar — e eu, possivelmente, terei reencontrado o chão.

A CRISE EXISTENCIAL EM 4 BULLET POINTS

  • De quase ativista da vida sem dinheiro a mera anticapitalista incoerente 
  • De empreendedora de si a cuidadora, em pane, da mãe ― mas também do pai e do Dog 
  • De entusiasta do lixo zero a dissimulada geradora de resíduos 
  • De “oks” com estar só a “nada oks” com a redescoberta da própria escassez de amor próprio

‘MODUS OPERANDI’ DA NATUREZA

Aprendi em um curso que a natureza faz sempre a melhor próxima coisa possível agora. Sempre. Em meio à aflição e à angústia que se infiltraram de volta em mim, fico me perguntando. Que melhor próxima coisa agora posso fazer? Que melhor próxima coisa agora posso fazer? Escrever esse livro, fica vindo. Escrever esse livro.

UMA AUTOBIOGRAFIA, ENTÃO? 

Amanda Palmer diz que batemos nossas experiências no liquidificador para fazer arte. Alguns chegam a um purê, em velocidade 9 ou 10, triturando tudo ao ponto do irreconhecível. Outros deixam pedaços inteiros à mostra, batendo a própria realidade em rotação lentíssima. Fico neste grupo — os ingredientes de dentro da minha pele, com sede de sentido, batidos entre 1 e 3. Mas não se engane: à exceção do Dog e dos autores que vêm comigo, nem eu chamo meu próprio nome.

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Republicado no Medium aqui.