Pessoa viva indo para Paris - Day # 01

03/04 - O primeiro foi o Tião. Me perguntou se eu estava expondo e, me dando conta de que eu não sabia ainda como explicar o que pretendia fazer ali na calçada da Paulista com a Peixoto Gomide, arrisquei:

(Como começou: leia aqui.)

"Então, não... Eu tô me preparando para fazer uma performance... Uma performance de 'Pessoa viva indo para Paris'", disse, apontando para o quadro em que eu havia acabado de grudar post-its com isso escrito, além do pedido 'Me ajuda? <3 :) '.

Senhor de feições acolhedoras, usando óculos de armação redondinha, estilo John Lennon, Tião foi me dizendo com um sorriso: "Ah, que bom, é muito importante a gente não desistir dos nossos sonhos, que bacana."

Ufa, ele não tinha me achando uma louca varrida. Nem me olhava com ar de "vai trabalhar!" ou coisa do tipo.

"Eu não vou poder te ajudar agora, mas acho muito importante isso", completou.

Tião mal sabia o quanto já estava me ajudando.  Eu havia chegado à Paulista às 15h35 e estava criando coragem de fazer aquilo havia meia hora. Tinha feito o quadro e estava começando a encher os balões que pretendia segurar, enquanto ficasse paradinha em cima de um balde, do lado de uma malinha (pra dar um clima de viagem, né? :) ).

Ventava muito e estava esfriando. Um balão e um post-it já haviam voado; e eu já começava a dar ouvidos para o meu trollador interno, que só mandava: "O que você está fazendo, Denize? Que ridículo. Que ideia besta, menina" e por aí vai. Tião respondia ao meu trollador sem saber.

Trocamos celular. (Já adianto que ele me ligou esta manhã para saber se correu tudo bem comigo ontem <3 ) Nos despedimos com dois abraços apertados e voltei a encher os balões, mais firminha em minha decisão de arrecadar fundos para ir à OuiShare Fest, evento que reúne a comunidade da Economia da Colaboração, na semana de 18 de maio, por meio disso, disso de pedir ajuda na rua como 'Pessoa viva...'.

Bom, mas a questão é que realmente ventava muito. E o frio apertava. Meu trollador começou a apelar, então, para isso, que eu ia passar frio, que ia ser difícil fazer o quadro parar em pé (foi mesmo, tive de colocar a malinha atrás dele para segurá-lo), que nem sequer a cortina xadrez improvisada para colocar sobre o balde estava parando no lugar, que ia ser difícil segurar os balões... "E se eles escapassem da minha mão?"

E foi aí que chegou o segundo, o senhor José Laerte :) Se aproximou perguntando se eu falava francês -- em francês. Respondi dizendo que não com a segunda frase que sei em francês (a primeira é justamente "Parle-vous france?"): "Je ne parle pas", ensinada por meu pai, seu Amaury amado da silva.

Pronto, ele foi o segundo anjo que me evitou de desistir. Um anjo decisivo, visto que seu desprendimento em começar a cantar A Marselhesa ali, alto, gesticulando com o braço direito, despreocupado, calou meu trollador de vez.

Ele contou um pouco de sua vida (assim como o Tião havia me contado também) e foi me encorajando tanto que, enquanto ele estava do meu lado, eu ainda sem nem ter subido no balde, ganhei minha primeira colaboração =) R$ 2, de uma moça tradutora e professora de inglês, chamada Ana. "Bonne chance!", me disse ela. 

Poxa, foi tão bonito, tão reconfortante. Ficou ela e o senhor José Laerte gastando o francês deles e eu só pensando em quanto aquilo podia significar algo. Em quanto aquilo talvez já estivesse mesmo significando. Bem na linha do que a Amanda Palmer fala no livro e falou no Ted dela, das pessoas serem (quererem / precisarem ser) vistas. De repente, estávamos todos nos vendo ali (Ana estava acompanhada de um rapaz também). Como antes também estivemos, eu e o Tião.

Quando, enfim, subi no balde, eu já tinha uma nota de R$ 2, da Ana, uma de R$ 10, do senhor José Laerte (eu sei!! :) ) e outros R$ 2, que minha mãe, dona Deise amada da silva, havia me dado em moedas antes de sair de casa -- "para não começar com o chapéu vazio".

E assim foi esse primeiro dia. Com vento, frio e um bocado de calor no coração.  Fiquei em cima do balde das 17h08 às 18h08. Sem os R$ 2 da minha mãe, angariei R$ 26,25 + muitos (muitos mesmo!) sorrisos + os dois abraços bem apertados do Tião + um beijo na bochecha (do senhor José Laerte). Ah, sim, lembro direitinho das demais pessoas que depositaram algo no chapéu: uma garota que passeava com a amiga (elas passaram por mim e, quando percebi no canto do olho, uma delas voltou com R$ 2 =) );  um garotinho japonês bem querido (também passou com a mãe, voltando depois com algumas moedas); um rapaz que desejou que tudo dê certo em Paris (Pedro, que aceitou deixar seu e-mail para eu dar retorno, "mas nem precisa dar retorno, aproveite muito lá!"), dando R$ 5; um casal bem novinho de namorados (eles foram tãaaao fofos: passaram sorrindo e, segundos depois, voltou ele com R$ 5, um sorriso e um desejo dito, mas também bem descrito no olhar dele, "espero que tudo dê certo lá, moça!" -- a namorada acenando mais adiante para mim... foi muito incrível esse momento <3 );  e uma moça que me viu, leu o quadro, parou e falou para o grupo em que estava, "Ah, peraí, vou ter de ajudar essa pessoa!", e veio com as moedas que caçou na bolsa (perguntei se ela não queria deixar o e-mail e ela: "Não precisa, quero que você se divirta muito lá, arrasaa!"... outro momento incrível <3 ).

Voltei para a casa dos meus pais, onde vim passar a Páscoa, cheia de amor. Existe, viu?, em SP; existe. E minhas pernas e pés, que doíam um bocado ontem antes de dormir, amanheceram sem resquício. 

ARRECADAÇÃO 03/04 NA PAULISTA: R$ 26,25
AJUDA DA DONA DEISE (para não começar com nada no chapéu): R$ 2 (em moedas)
AJUDA DO SEU AMAURY: R$ 50

TOTAL EM 03/04: R$ 78,25 
META ATÉ 16/5: R$ 3,5 mil


Como algumas pessoas têm me pedido, vou deixar aqui dados para quem queira colaborar. Por favor, me mande um e-mail para que eu possa lhe agradecer, ok? =) É denize.guedes@gmail.com _/\_

Denize Ramos Guedes
CPF: 287769198-54
Banco: Bradesco
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